terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Nosso querido amigo, o clitóris!

Nós mulheres somos realmente privilegiadas. A mãe natureza, sábia e generosa, nos presenteou com um órgão criado única e exclusivamente para nos dar prazer: o nosso queridíssimo amigo, o incrível, o misterioso, o invejado clitóris! Companheiro de todas as horas, ele sempre está presente, pronto a nos proporcionar sensações fantásticas, estejamos sozinhas ou acompanhadas...
Durante muitos séculos, porém, o clitóris foi ignorado pela ciência, ou mesmo desqualificado. Simplificando MUITO, em uma de suas teorias (muito refutada por várias correntes da psicologia e da medicina) Sigmund Freud, o pai da psicanálise, disse que o orgasmo clitoriano era característico de mulheres imaturas sexualmente e que, com a maturidade sexual, as mulheres passavam a ter orgasmos vaginais.
Uma visão estreita, que representa uma sociedade feita e dirigida por homens, que se recusam a acreditar que as mulheres podem ter prazer sexual sem depender de um pênis. Em muitas culturas, ainda hoje as mulheres têm seus clitóris (e às vezes até os lábios vaginais) extirpados como parte de um ritual de passagem para a vida adulta, entre outras coisas.
Estima-se que aproximadamente 150 milhões de mulheres sofram este ritual por ano, e existe muita polêmica em torno do assunto – tema longo, ótimo para uma outra coluna...
Atualmente a ciência conhece muito bem nosso clitóris querido, que na verdade é bem maior do que a gente vê. Suas terminações nervosas se prolongam pela vagina e uretra, chegando até a bexiga. Ele é o órgão do corpo humano (tanto masculino como feminino) que contém mais terminações nervosas: em um espacinho que varia entre 1 e 3 cm, em média, existem cerca de 8.000 terminações nervosas - isso explica todas as sensações maravilhosas que ele pode provocar...
Existem clitóris de todos os tipos e tamanhos, desde os mais tímidos, que necessitam de maior atenção para serem encontrados, até os mais desinibidos, que aparecem logo de cara, meio sem pedir licença. Mas o bom é que o tamanho não interfere na sensibilidade nem no prazer que ele proporciona, e disso nós já sabemos. Quem não se lembra da primeira vez que descobriu este nosso amigo e como se surpreendeu com que sentiu? Difícil esquecer...
Assim como os formatos, as formas de obter prazer com ele são infinitas. Usar as mãos e os dedos talvez seja o jeito mais básico e simples, mas que sempre exige cuidados. O clitóris não é um botão liga-desliga, é preciso perceber a intensidade e o ritmo com que sua parceira gosta de ser tocada... Muitas vezes cometemos o erro de fazer da forma que nós gostamos, parece ser o mais óbvio, mas em sexo nada é tão óbvio assim...
A combinação lábios – língua – clitóris é de levar qualquer uma à loucura, e, novamente, cada mulher gosta ser estimulada de uma forma diferente. Muitas gostam de serem literalmente chupadas, para outras isso provoca dor. Por isso, variar, experimentar e prestar atenção à parceira na hora é essencial. A cooperação de quem está recebendo também é fundamental, porque mulher nenhuma consegue ler pensamento: ajude a descobrir como você gosta de ser estimulada, falando ou mostrando de algum maneira; mas também esteja aberta a novas sensações.
E a famosa posição clitóris com clitóris? Para algumas mulheres ela é a preferida. Algumas vezes, dependendo do casal, é preciso um esforço para encontrar a melhor posição de “encaixe”, mas o resultado sempre vale a pena... Também não podemos esquecer das variações clitóris com coxa, clitóris com púbis, clitóris com seios etc etc e etc.
Mas o bichinho é caprichoso... Muitas vezes tudo parece tecnicamente certo, perfeito, e nada acontece. É que o clitóris não é um órgão à parte no corpo feminino, ele quase sempre trabalha ligado à mente e ao coração. Quem já não broxou ao perceber que está sendo estimulada quase por obrigação, como se fosse algo mecânico e estivessem te dizendo: “vai goza logo!”. Não adianta, quando a mente e o corpo não querem (ou desistem) o melhor é virar pro lado e dormir, ir tomar um chá de camomila ou brincar de jogo-da-velha.
E quem nunca passou pela situação de estar já louca de tesão, subindo pelas paredes, quase desfalecendo, e nada de gozar? A sensação que temos, quando o clitóris está muito intumescido (fino,né?) e excitado é quase dolorida.
Nestas horas existem algumas saídas: caso você esteja num dia inspirado, se sentindo guerreira, funciona respirar fundo, relaxar o corpo e buscar dispersar a energia que está contida na região estimulada, sem que sua parceira pare de estimulá-la.
Caso contrário rola pedir pra mocinha variar um pouco o estímulo (fazer um pouco mais fraco, mudar um pouco de região, etc...), ou mesmo parar por alguns minutos e voltar depois. O bom é que assim a sensação de prazer dura mais tempo...
De tudo isso, o que realmente importa é a criatividade (e o bom senso, claro!). Tanto faz se estamos ou não com alguém, com chuveirinho, vibradores, línguas ou dedos, vale a pena sentir tudo o que o clitóris tem a nos proporcionar. Temos um órgão criado só para nos dar prazer. Seria um desperdício e tanto ignorá-lo.


Publicado Originalmente em Dykerama

Homossexualidade explicada às crianças

Uma menina que vive com as duas mães e dois colegas de escola que trocam palavras sobre o despertar do amor servem de temas aos primeiros livros infantis sobre homossexualidade que foram lançados sábado em Portugal, noticia a Lusa.
«Por quem me apaixonarei» e «De onde venho», de autores espanhóis, são histórias que retratam a diversidade afectiva e sexual, de uma forma simples, e abrem portas a conversas com os mais novos sobre o tema.
Marta e André são as personagens principais de «Por quem me apaixonarei», um enredo que começa numa sala de aula quando um professor diz aos alunos que se vão apaixonar quando forem crescidos.
«Podia pedir ao Ruben e à Alice que se apaixonem por mim. Ambos são bons avançados», diz o André para a Marta, explicando que quer apaixonar-se por alguém que goste de jogar futebol, como ele.
Mas Marta lembra-se de ter ouvido algo sobre a química do amor e decide questionar o professor de química: «Não podes escolher a pessoa por quem te vais apaixonar. Pode ser um menino ou uma menina, pode ter cabelo louro ou moreno, pode gostar de ler ou jogar», explica o professor.
O respeito pela diversidade desde a infância é também o mote da história «De onde venho», contada pela voz de uma menina que tem duas mães.
Recusando uma após outra as narrativas sobre o nascimento, desde a cegonha que vem de Paris até à história da sementinha, a menina acaba por recordar-se que lhe disseram que os meninas e meninas crescem nas barrigas das mulheres.
«Essa é que me pareceu a maior mentira que já ouvi. Eu não caibo na barriga da mamã Carlota e na da mamã Ana ainda menos», diz a menina. Sem pormenores, o livro aborda de forma ligeira a realidade dos casais homossexuais, pondo fim a um vazio sobre este tema na literatura portuguesa.
«Em português não existe nenhum livro dirigido às crianças, e famílias, sobre temas como este. E é importante o convívio com a diversidade afectiva e sexual desde tenra infância», afirmou à agência Lusa Paulo Corte Real, porta-voz da Associação ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero.

Publicado originalmente por Portugal Diário

Curitiba ganha centro de documentação GLBT

O Grupo Dignidade inaugura nessa sexta-feira, dia 14 de dezembro, em Curitiba, o Centro de Documentação Prof. Dr. Luiz Mott, que conta com um acervo de diversos materiais sobre gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e temas correlatos.
Fruto de uma parceria com o Ministério da Cultura, o Grupo Gay da Bahia, o Arquivo Edgard Leuenroth (Unicamp) e o Deputado Federal Dr. Rosinha, o centro de documentação disponibilizará ao público estudos acadêmicos (teses, dissertações, monografias e artigos) que abordam a temática GLBT. Também fazem parte do acervo livros, documentos, publicações periódicas, informativos, DVDs e fotografias que contam parte da história do Movimento GLBT no Brasil.
O centro de documentação fica na sede do Dignidade, na Av. Marechal Floriano Peixoto, 366, conjunto 43. Maiores informações podem ser obtidas através do tel.: (41) 3232-1299.
Postado originalmente em G. Online

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

The L Word: quinta temporada primeiro na Internet


A quinta temporada da série The L Word terá estréia exclusiva no site OurChart.com, voltado à comunidade lésbica. A exibição na Internet acontece no dia 30 de dezembro, enquanto a estréia no Showtime, canal que exibe The L Word no Estados Unidos, só acontecerá no dia 6 de janeiro de 2008.
A escolha pelo OurChart.com não foi à toa. Ilene Chaiken, co-fundadora e presidente do site, também é a criadora e produtora da série The L Word.
O lançamento em primeira mão na Internet faz parte de uma estratégia comercial do Showtime. O canal, que faz parte dos pacotes mais caros das operadoras de TV paga norte-americana, pretende ganhar novos assinantes com aqueles que gostem da estréia de The L Word, mas ainda não são telespectadores da emissora. Além disso, a estréia online pode promover a venda de DVDs das temporadas anteriores de The L Word para as pessoas que nunca viram a série.



Postado originalmente em Poltrona.Tv

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Fã se sensibiliza com série lésbica The L Word e doa US$ 1 milhão para a luta contra o câncer de mama

Uma fã anônima da série com temática lésbica The L Word doou US$ 1 milhão para a fundação Dr. Susan Love Research Foundation, que atua na luta contra o câncer de mama.
De acordo com a fundação, a fã da série fez a doação em homenagem a personagem Dana Fairbanks, interpretada por Erin Daniels em The L Word e que morreu na série devido ao câncer de mama.
"A doadora, que escolheu se manter anônima, quis homenagear a atriz e sua convincente atuação em um relacionamento que teve uma trágica conseqüência por causa do câncer de mama. Ultimamente ela decidiu que o melhor modo de fazer essa homenagem era dar uma generosa doação que nos ajudaria a avançar nosso trabalho que é acabar com o câncer de mama em nossas vidas", afirmou Naz Sykes, diretora executiva da Dr. Susan Love Research Foundation.
Em comunicado a atriz Erin Daniels também agradeceu a doação e disse que esse é um ato que ajuda a mudar a vida de muita gente. 'Há poucos momentos na vida de uma mulher onde ela sente que tem sorte suficiente de fazer parte de algo que mudará a vida de muitas pessoas. Esse é um dos momentos. Eu estou decidida de que minha personagem inspirou tal ato de generosidade e exalta ser parte disso", afirmou Daniels.



Fonte: G. Online

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

MATERNIDADE LÉSBICA, FAMÍLIA E VIOLÊNCIA

Foi identificada uma única tese de doutorado enfocando a questão da vivência da "maternidade lésbica", num estudo etnográfico comparativo realizado nas cidades de Campinas (SP) e Toronto (Canadá), confrontando-se também com a violência no âmbito familiar e doméstico. O estudo comparativo deparou-se com a violência praticada por familiares, parceiras e ex-parceiros.
Os casos acompanhados no contexto brasileiro referem-se a famílias não planejadas, formadas por mulheres com passado heterossexual que se envolveram em relações lésbicas e trouxeram seus filhos para essas relações. No contexto canadense, os casos dizem respeito a famílias planejadas: as mulheres lésbicas optaram pela maternidade através do uso de tecnologias reprodutivas. O perfil em ambas as localidades envolve mulheres brancas, de classe média e, na maioria, com nível superior de escolaridade.
Ocorrência de situações violentas protagonizadas por familiares, ex-parceiros e parceiras contra mães lésbicas foi evidenciada em boa parte dos casos analisados no Brasil.
Para a autora do estudo, num contexto marcado pela falta de respaldo legal, moral e social, o estereótipo da mãe frágil e passiva coloca as mães biológicas em uma posição desprivilegiada nas relações de poder entre duas mulheres numa relação lésbica. Nesse contexto, a mãe biológica se vê pressionada a renunciar à sua (homo) sexualidade, pela família de origem, pelos ex-maridos e suas famílias, e pela justiça, para que estes lhes favoreçam a guarda dos filhos. Nos casos em que houve violência no interior do casal, a autora sugere que as mulheres poderiam não ter a intenção consciente de construírem uma relação baseada em desigualdade de poder. Entretanto, na vivência cotidiana, seus valores podem ser abarcados por um modelo maior, hierárquico, quando não encontram lugar ou oportunidade para serem expressados, vivenciados e legitimados. Diante da instabilidade de um "não-lugar" dentro de uma relação (no caso, o lugar de companheira da mãe na estrutura familiar) e da ausência de suporte legal e social, a mulher pode resgatar um lugar definido e legitimado em torno de estereótipos, como a "mãe santificada" e a "lésbica violenta".
No contexto canadense, a violência doméstica é coibida por políticas públicas e campanhas organizadas por ONG. No entanto, apesar das garantias legais em torno da maternidade lésbica e da disponibilização de tecnologias reprodutivas para essas mulheres, permanece um referencial tradicional e essencialista de maternidade, que atua na constituição de hierarquias entre mães biológicas e não biológicas, reparadas através de estratégias simbólicas, como a escolha de um doador com características semelhantes às da mãe não biológica ou mesmo a dedicação integral do tempo dessa mãe para com o cuidado da criança. Se no Brasil esse referencial transforma a mãe biológica em vítima de violência, no Canadá muitas vezes leva a mãe não biológica a abandonar sua vida profissional em busca da legitimação de sua maternidade.

Fonte: SOUZA, E. R. Necessidade de filhos: maternidade, família e (homo)sexualidade. 2005. Tese (Doutorado em Ciências Sociais). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, UNICAMP, Campinas.